quarta-feira, 8 de julho de 2009

Depressão da máquina produtiva

Lembro-me com muita alegria de meu passado, uma infância maravilhosa, com pais-heróis, amigos que me faziam curtir a vida e brincar sem grandes responsabilidades.
Na infância sentimos tudo e todos os dias, a raiva de brigar com um irmão que pega seus brinquedos, a alegria de jogar bola com os amigos no campinho da rua, a tristeza de domingo a noite sabendo que amanha vai ter aquela aula chata. Vivemos como se nao existisse futuro para se preocupar e que a idade adulta é algo muito distante , afinal pra que se planejar se estou tao feliz no momento?

Vivia cercado de amigos(e grandes amigos), mas ao mesmo tempo um desejo enorme de crescer, de mudar, evoluir, afinal tenho muitas coisas grandes para conquistar, assim nessa ansiedade veio o ultimo ano do segundo grau, uma época de grande expectativa e algumas indagaçôes, " O que eu quero fazer da minha vida?" como se eu tivesse maturidade para decidir meu futuro para os próximos 50 anos( mas graças a Deus, a vida pode me dar opçôes de mudar, coisa que nao acontece com todos). Comecei a faculdade, a primeira experiencia de conhecer pessoas novas e a segunda de rever meus amigos apenas de vez em quando. Ao longo da faculdade, o amadurecimento e a firmação do que se quer, momentos felizes com pessoas que fazem valer as horas juntas diarias.

Assim a faculdade era a continuidade de minha vida, cercado de gente e vivendo momentos que ficam eternizados em nossa memória. Começa o desejo de acabar mais esta etapa, muito sacrifício, alegrias, trabalhos e planejamento para a vida pós-faculdade. Nao esqueço do profundo desejo de nao ver mais a cara de alguns professores.

Nisso acontece um dos momentos mais felizes da minha vida e um dos momentos mais tristes.
Mas como pode isso?Momentos felizes e tristes juntos?

Sim, isso mesmo, o dia da minha formatura.
Bom, vou separar esses momentos para melhor entendimento.
Senti uma profunda alegria no momento em que olhei para meus familiares e levantei as mãos com o tão desejado e aguardado diploma(que ainda nao era diploma, mas um certifado), e senti uma grande tristeza quando vi meus amigos na festa e nos abraçamos, só pensei em uma coisa, "Como vai ser daqui pra frente?" .

Começa ano novo, vida nova, pensei comigo"Nao vou parar" e iniciei na pós-graduação e no inglês. No trabalho fui promovido(trabalhando que nem um burro de carga), ao final do dia a dificil missão de ir a academia, afinal um triste destino para quem faz administração de empresas é a tao indesejada barriguinha(que desde novo me acompanhou).

Ao longo do ano a rotina, trabalho, almoço, trabalho, uma possivel academia e dormir pra trabalhar no outro dia. Sera que me preparei desde pequeno para isso? Ver sempre os mesmos rostos do trabalho, e meus amigos?
Me transformei em uma maquina produtiva.
Nasci para produzir, e quem nao produz é descartado, ou melhor dizendo, se descarta.
Mas e aquelas sensações da infancia?
Foi ai que percebi que o maior tesouro na vida de uma pessoa nao é o que ela conquistou, mas as pessoas que participaram dessa conquista. E cheguei a outra conclusão, nossa felicidade nao é só na infância, nós mudamos, mas nossos amigos tambem, eles tambem sentem falta daqueles momentos e é possivel sim viver cercado de pessoas que gostam da gente, basta algum esforço.
Nossa vida nao é o trabalho e podemos oferecer mais coisas as pessoas que estão em nossa volta, fazer a diferença realmente.

Quanta coisa para se conhecer, para se viver e tao pouco tempo...

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